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[ CRÍTICA ] Campo do Medo

Baseado no livro escrito por Stephen King e Joe Hill de 2012, Campo do Medo (In The Tall Grass) consegue prender a atenção do expectador pela curiosidade de entender tudo o que se passa dentro da grama alta!

Com um enredo um tanto quanto lento e um desenvolvimento que impressiona o filme se passa basicamente dentro do mesmo matagal. Apesar dos poucos cenários os seus momentos "jump scare" (aqueles que você dá um pulinho da cadeira) são suficientes pra dar uma renovada no ânimo, sem contar com as surpresas e plot twists que te deixam tentando entender o que danado está acontecendo ali!

Paradoxo temporal, cenas chocantes, momentos controversos, uma fotografia feita pra causar angustia e até claustrofobia (por mais que estejam ao ar livre!) são marcas do diretor Vincenzo Natali que já produziu filmes como Splice - A Nova Espécie e Cubo. Tudo com uma pegada "diferentona" pra deixar aquela apreensão no ar com coisas que fogem do comum.

O elenco traz nomes como Patrick Wilson (Invocação do Mal, Aquaman, Whatchmen), Avery Whitted (Sidney Hall), Rachel Wilson (Republic of Doyle e Total Drama), Laysla De Oliveira (American Girl: Uma Aventura no Brasil) e o jovem Will Buie Jr. (Acampados). Sem grandes novidades pra atuação incrível do Patrick, mas a surpresa fica pelo jovem Will no papel de Tobin! A criança responsável por grandes especulações e torcida para que tudo acabe bem! Consegue ser fofo e assustador ao mesmo tempo!

No comando da trilha sonora temos Mark Korven, que foi responsável pela trilha do filme A Bruxa. Se você viu esse sabe que ele consegue colocar medo nos menores sons e mais sutis efeitos. Se não viu, já vai se preparando! A dublagem deixa a desejar em alguns momentos pela questão de equilíbrio de som e não pela qualidade em si. Se for possível, assistam legendado!

Apesar de todo o esforço o desenvolvimento arrastado nos faz pensar em deixar pra lá e simplesmente procurar outra coisa pra assistir. Venha pelo terror, fique pelo paradoxo temporal! Um trailer que te deixa achando que vai ser aquele filme cheio de climão e poucas são as cenas que isso realmente acontece. A curiosidade de entender tudo te leva até o fim e quando o fim chega você pensa "ah tá" e sobem os créditos. Ainda assim vale a pena conferir como um filme baseado numa obra do King!



Nota: 6/10

XII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco #02


Falta pouco menos de um mês pra XII Bienal de Pernambuco e a ansiedade vai onde? Lá no alto, né? A cada atração confirmada a gente comemora e dessa vez olha só a quantidade de confirmações que trazemos:

Muniz Sodré vai nos prestigiar destacando a resistência negra na poesia do nosso homenageado desse ano: Solano Trindade.

Autor do livro "Para todas as pessoas intensas", Iandê Albuquerque é um artista visual e criou um blog pra falar sobre as relações humanas. Tem canal no YouTube também!

Autora do blog Pó de Lua que cresceu como página de Facebook e virou livro é presença confirmada!

Vai ter um espaço pra galera do Hip Hop soltar o verbo na Batalha do Terminal! MCs das comunidades da Zona Norte são os convidados!

Teremos André Gallindo e Cassio Zirpoli sendo mediados por Celso Ishigami, junto com os jornalistas Francisco José e Fred Figeuiroa debatendo tudo que rolou no mais controverso brasileirão da história!

Tá achando pouco? Então se liga que tem confirmação de editoras e estandes:
- Aleph
- Ciranda Cultural
- Companhia das Letras
- Girassol
- Livraria Imperatriz
- Leitura
- Taverna do Rei
- Y. A. Book's
- Saraiva

Ainda tá querendo mais coisas? Tudo bem! Temos mais novidades! A programação musical da Bienal também está tomando forma e teremos nomes como Maciel Melo e Jorge de Altinho para lançar o livro "Coesia" (10/10 às 19h). Lançamento do livro "Voz ao Verbo - Poemas para calar o medo", com recital do poeta Allan Dias (@reverbpoesia 11/10 às 18h30) e apresentações musicais de Diviol (06/10 às 18h), Projeto Ukulelê (12/10 às 18h30) e Nelson Héffi (no dia 12/10 às 19h30).

E pra fechar com chave de ouro nós trazemos também o BienalCast! Temos um teaser e o primeiro episódio pra vocês!

Teaser:
https://open.spotify.com/show/3Sb5XIw5l5dHE32X9G2lAl?si=xR_gTDNgTsyZGLGH1cOGiQ
https://www.instagram.com/p/B16AhcfjyIY/?igshid=48s9o2m4f50b

Episódio 01:
https://open.spotify.com/episode/2dHge2pSEiHCMmwpI1GwpK?si=Qdp2fgP1QuifS0brYxddjg
https://podcasts.apple.com/br/podcast/bienalcast/id1478557093?l=en

XII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco #01


O segundo semestre chegou e com ele as primeiras divulgações da XII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco! Além da oportunidade de conhecer autores e artistas, participar de oficinas, network, uma das partes mais legais é: livros baratos! Na Bienal você encontra coleções completas até por R$40! Vale a pena começar a se organizar e guardar uma graninha pra fazer a festa por lá!
Em outubro de 2019 começa mais um importante capítulo da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco que chega a sua décima segunda edição com tremendo êxito e satisfação de público e crítica. A Bienal PE é uma iniciativa consolidada pelo sucesso de público e está oficialmente integrada ao Calendário de Eventos do Estado através da lei No 14.536, sancionada pelo Governador Eduardo Campos, e publicada no Diário Oficial no dia 13 de dezembro de 2011. 
As primeiras informações já estão sendo divulgadas nas redes da Bienal (links no fim do post) e temos a primeira autora confirmada: 
Ana Maria Gonçalves, mineira, é a escritora do livro Um Defeito de Cor, um dos mais importantes romances brasileiros deste século! 
Fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de uma maneira original e pungente, na qual os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens. Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, é um belo romance histórico, de leitura voraz, que prende a atenção do leitor da primeira à última página. Uma saga brasileira que poderia ser comparada ao clássico norte-americano sobre a escravidão, Raízes. - Sinopse da Amazon.
 A campanha de divulgação desse ano traz como mote "Quem lê mais, entende mais!". As artes mostram questionamentos cada vez mais sérios para essa nova geração que é bombardeada por fake news e informações errôneas de correntes através de redes sociais.


Data: 03 a 13 de Outubro.
Hora: das 10h às 22h.
Local: Centro de Convenções de Pernambuco.
Informações: https://www.bienalpernambuco.com/
https://www.instagram.com/bienalpe/
(81) 3231-5196
contato@bienalpe.com.br

A importância de sentir

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Imagem: Redhuble/Google.

Em outras épocas as mulheres tinham cursos e intensivos em alas psiquiátricas para estarem sempre sorrindo. Chorar para os homens é sinal de fraqueza. Desde pequenos somos alertados sobre nossos sentimentos. Condicionados a importância de, por muitas vezes, escondê-los. Na infância ouvimos sempre "dá um sorriso pra tia", "vixiiii essa menina só vive de cara fechada". Pelo menos era o que eu mais ouvia da minha mãe, mas e se eu não quisesse sorrir naquela hora? Se eu estivesse triste? Tinha que sorrir assim mesmo.

Na adolescência tudo se intensifica, uma tragédia maior que a outra, a primeira briga com o primeiro namorado, todos os dramas, fingir que não gosta de coisas ou que gosta só pra agradar, fingir que não gosta de alguém e sofrer em silêncio. O medo do primeiro "eu te amo". Esse te acompanha por toda a vida em todos os relacionamentos. Nos apegamos a vários "e se...?". Se ele/a não sentir isso? Se for cedo demais? Se ele/a se aproveitar disso pra me iludir? Será que eu sinto isso mesmo? Será que vai retribuir?

Quando temos depressão um conglomerado de outros sentimentos se unem a todos os outros. O medo aumenta, a tensão, a dúvida. Quando não sabemos que estamos doentes insistimos em parecer bem. Nos forçamos um sorriso e seguimos em frente, sem entender por que estamos triste, por que esse vazio nos assola.

Então descobrimos que pode ser mais do que uma tristeza. Percebemos a constância, percebemos os olhares julgadores, percebemos as críticas pelo nosso "excesso de negatividade" ou de tristeza. Então começamos a investigar e descobrimos a doença, vemos relacionamentos ruírem, amizades se afastarem, a dificuldade da família em lidar com as crises.

Então tomamos a pior decisão de todas: escondemos nossas crises por medo do que possa acontecer. Vamos fingindo sorrisos, fingindo estarmos bem. Colocamos uma máscara ao sair de casa pra encarar o mundo e quando chegamos, desabamos. As pessoas pensam que você é feliz e que está tudo bem e você colabora. Mantém o sorriso, as interações externas mas sempre evitando maiores convívios.

Vai engolindo a dor, empurrando aquele nó na garganta mais pra baixo, engolindo mais e mais lágrimas, até que a represa se rompe e somos obrigados a nadar sem saber nesse oceano de dores e sofrimentos guardados. A nadar sem salva-vidas, sem bote.

Não conseguimos chegar até a margem, continuamos ali... Boiando, passando por calmarias e tempestades, nos mantendo simplesmente, boiando. Os sorrisos fingidos de cada dia voltam, arrumamos mais desculpas pra evitar interações após o expediente ou nos fins de semana. Inventamos compromissos e problemas variados pra nos isolarmos. Afinal, quando as pessoas descobrem que estamos naufragados nesse mar, se afastam, não é? Aprendemos isso.

Mais lágrimas são engolidas, mais sentimentos empurrados, mais o nós vão se juntando e quando percebemos passamos mais uma vez pelo rompimento da barragem, mas dessa vez é diferente, já estamos na água, não é mesmo? A tempestade é mais forte, somos jogados de um lado pro outro, o vento não para, as ondas não param de vir, uma maior que a outra, uma mais forte a outra. Estamos cansados de nadar, já não conseguimos mais mexer os braços, procuramos motivos pra continuar, procuramos no horizonte um porto seguro.

O porto está logo ali, ao lado, mas as lágrimas não nos deixam enxergar. Mais lágrimas, muito mais lágrimas. As ondas ficam mais fortes e nós, mais fracos. Tentamos engolir todas as dores, temos mais uma vez soterrar todos os sentimentos e assim, nos afogamos.

Entendam que tá tudo bem não se sentir bem, tá tudo bem não sorrir, tá tudo bem que seu rosto expresse o que você tá sentindo. Ficar escondendo os sentimentos, ficar fingindo sorrisos, escondendo nossas dores não faz mal a ninguém além de a nós mesmos. Percebam também que existem pessoas que estão do nosso lado, que estão dispostas a nos dar a mão, a nadar com a gente e, algumas, pela gente. Não faz vergonha pedir ou aceitar ajuda.

[ CRÍTICA ] Bonding - Amizade Dolorida

Definitivamente uma das séries mais curtas que eu já tive o prazer de assistir na Netflix. Com 7 episódios com duração média de 15 minutos a série conta a história de Tiff e Pete, amigos desde o ensino médio e tudo começa quando ela o chama pra ser seu assistente e segurança no seu trabalho como dominatrix. Ah, a classificação é 16 anos, tá?

Sinopse: Pete (Brendan Scannell), um jovem homossexual, e Tiff (Zoe Levin), uma dominatrix, eram melhores amigos nos tempos de colégio, mas os dois foram perdendo o contato com o passar do tempo. Anos depois, eles se reencontram inesperadamente na agitada Nova York. Agora, uma amizade de longa data está prestes a se fortalecer.

Zoe Levin é a determinada Tiff, que sabe o que quer e tem total domínio sobre seu trabalho e Brendan Scannell é Pete, o amigo gay sempre medroso nas situações. Pelo menos é isso que é mostrado no primeiro episódio. Todos os acontecimentos que vêm a seguir mostram a evolução dos personagens. Conhecemos um pouco sobre o passado deles, seus gostos e suas verdadeiras naturezas.

É divertido acompanhar a mudança nas personalidades deles, enquanto se descobrem de verdade e quando algumas verdades são jogadas bem na cara. Apesar da Tiff ser Dominatrix, é dada apenas uma leve pincelada sobre o tema. Mostrando que existem os mais variados fetiches e desejos. Um ponto válido, visto que a série aborda com certa naturalidade alguns tabus.

Outras pinceladas a serem levadas em consideração são a abordagem que a Tiff faz sobre o feminismo e as dificuldades do Pete com sua verdadeira natureza. O tabu sobre a mulher e seus desejos sexuais, sobre o poder do dinheiro e claro, aquelas pitadas de choque sobre o universo do couro e da chibata.

Uma das gratas surpresas na série é a D'Arcy Carden, que interpreta a Daphne, uma dona de casa que quer contratar a dupla para o seu marido. Os fãs de The Good Place como eu vão a loucura com os episódios com as suas aparições.

A meu ver apesar de ter sido curtíssima, ela mostrou bem os personagens e suas evoluções. Figurinos sensacionais, cenários incríveis (principalmente do trabalho da Tiff), piadas pontuais, uma pitada de drama e o único feito é ser curta demais.

O melhor trailer que encontrei da série: