25 de outubro de 2011

Em diante


Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem. 
- De Ontem em Diante - O Teatro Mágico -


O que eu fiz no meu ontem? O que vai ser o meu amanhã?

Quando criança eu não tinha nome, me chamavam simplesmente de Menina, Pirralha, Pivete, Criança. Olhava pros mais velhos com admiração... Os idosos eram a vovó e o vovô, onde passava final de semana com a comida gostosa e cafuné antes de dormir. As marcas na pele eram de quedas e tombos em meio as brincadeiras. Os alunos do ensino médio assustavam e eram os “poderosos” do colégio. Os adultos com suas faculdades e empregos eram incríveis! Pensava em como seria quando eu chegasse lá um dia. Que um dia eu seria a poderosa.

Então eu cheguei lá... Na adolescência acompanhei as mudanças do meu corpo, as curvas que se acentuavam, a expressão que começava a perder os traços de criança, mas mesmo assim insistem em me chamar de Criança, Menina, Garota. As cicatrizes das peripécias se tornam vergonhosas. O colégio já não assustava mais, as crianças começaram a irritar com sua correria e gritos... Tenho certeza de que eu não fui assim! Idosos começam a parecer frágeis, os avós exigem atenção que não quero dar, preferia sair com os amigos. E os adultos eram meu novo foco. Como seria quando eu estivesse lá? O que eu faria? Chegaria na faculdade! Poderia fazer o que quiser! Escolheria minha profissão... Ganharia muito dinheiro.

E mais uma vez estava lá. No espelho a expressão tornou-se mais dura, firme e imponente. Meu nome agora é Tia ou Moça... Às vezes até Senhorita ou Senhora. Na pele tudo o que restou são lembranças de tempos que eram bons. Os adolescentes são irritantes e indecifráveis com seus surtos e manias e crises... São complicados de lidar... Difíceis de entender. Claro que eu nunca tinha sido desse jeito! As crianças farão parte do meu futuro em breve e agora são olhadas com certo medo... Receio e aprendizado do provável sofrimento, que vou passar em alguns anos. O emprego não me satisfaz, é cansativo... Não era assim que eu imaginava. Os idosos são simplesmente aqueles que ocupam as cadeiras na frente do ônibus, a quem devo tratar bem por mera educação. Como seria quando eu fosse como eles? Com certeza não vou ser tão chata e repetitiva.

Me imagino no amanhã... As rugas começarão a aparecer, aqui e ali a cada dia uma nova ponteará em minha face e marcará a pele. Me chamarão de Senhora... Crianças correrão a minha volta e adoram minha comida e meus carinhos. Adolescentes serão mal educados que não me respeitam e me tratam mal. Os adultos vão ser pessoas que reclamam de mais, trabalham de mais e se preocupam de mais com ganhar dinheiro e trabalhar, mas esquecem de viver... O pouco tempo que me restar vai parece realmente pouco... Vou olhar para trás e tentar entender por onde passei, o que fiz? O que aconteceu com o meu tempo? As lembranças de momentos distantes vão me encher os olhos de lágrimas, pensarei em tudo que poderia ter feito diferente, nas escolhas que talvez foram erradas e nas que foram certas. Mas de nada me arrependerei, pois tudo pelo que passei ainda me fará ser quem sou.

3 comentários:

  1. orgulho orgulho, seus textos sempre ótimos. esse tão tocante, e prometo que quando as prmeiras ruguinhas aparecerem eu estarei lá para acompanhá-las admirá-las e comentar seu posicionamento peculiar :3
    ótimo texto, ótima mensagem, lhe amo, quero ler cada vez mais destes...
    parabéns ^^

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  2. Olá Malka, menina, lembra-se de mim Maly do cicatrizes, estou de volta ao mundo blogueiro ^^ e claro procurei seu blog, o da Cy, mas acho que ela deve ter dado um tempo...

    Sim não gosto de olha pro futuro, sabe assim tipo me imaginar velhinha, eu penso que já estou velha... Mas o lega será olhar pra trás e ver o que fizemos, as escolhas e os caminhos que seguimos e que nós fizeram ser quem somos... Seus posts são lindos... Sempre gostei.


    beijos.

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  3. Viver sem arrependimentos é algo quase impossível ......mas o importante é viver. ....

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Obrigada pela visita e pelo comentário! Não esquece de se identificar... Fico curiosa com anônimos! ;)