17 de fevereiro de 2012

Sobre a saudade...



O que é a saudade? Palavra que existe apenas na lingua portuguesa mas que no fim serve para dizer a mesma coisa em qualquer dialeto... Sinto sua falta. Não sinto saudade apenas dos bons momentos, de rir com sua gargalhada solta de alguma piada sem graça que contei, das brincadeiras que fazia com meus amigos, dos abraços, dos beijos... Dos cafunés... Das coisas que me deixavam morrendo de vergonha... Dos filmes que nunca conseguíamos assistir porque você sempre dormia nos 10 primeiros minutos... E então vinha a nova promessa de assistir outro filme qualquer... E novamente você dormia. Fato que já gerava novas risadas.

Não sinto falta apenas das viagens, de ganhar presente no Dia dos Namorados, Dia das Mães e Dia das Crianças... Até no Dia dos Pais... Por mais estranho que poderia ser, gostávamos de rir quando você dizia algo do tipo a vendedora da loja "ahhhhh é o presente de dia dos pais da minha filha..." . Não sinto falta apenas dos recheios de biscoitos roubados... Da pipoca que você nunca queria quando eu perguntava, mas sempre comia quando estava pronta... Não sinto falta da forma delicada de me acordar, de sempre me cobrir antes de dormir e do cuidado exagerado...

Sinto falta de cuidar de você quando estava doente, sinto falta das brigas e das broncas e de quantas vezes você me chamou de 'demente' ao esquecer de algo importante... Ninguém vê os momentos tristes nos álbuns de retrato... Mas são eles que nos levavam de um momento feliz ao outro e fazia cada um valer a pena, por menor que fosse. Sinto falta das coisas que aprendi, até mesmo das lições depois de ouvir tantos "não faça isso, vai acabar quebrando a cara" seguidos de um "eu te avisei...".

Me arrependo das birras, das caras feias, de tudo o que disse e pensei quando recebia um não seu. De todas as vezes que pensei que morar sozinha seria muito melhor... De que não aguentava mais a vida que eu levava... Mal sabia eu que tinha a vida perfeita. Sinto falta das brigas, de reclamar do meu cabelo vermelho, das minhas ideias malucas de tatuagem e afins... Sinto falta das ordens para arrumar o quarto, reclamando do chinelo espalhado e da roupa largada em cima da cama.

Lembro do quanto odiava as represálias, os "não pode", "não vai", "não deixo"... E hoje daria tudo para ouvir um "Não" seu. Sei que essa saudade nunca vai ter fim, que sempre vai existir um momento, uma roupa ou apenas um objeto que vai me trazer uma lembrança e de volta as lágrimas. Agradecimentos? Sim... Vários. Todas as suas proibições que me fizeram ter a índole que hoje tenho, toda a educação que me fez ser a mulher que hoje sou... E espero um dia poder ter a certeza de que me tornei uma mulher que te dê orgulho assim como agora eu bato a mão no peito e digo "Tenho orgulho da mãe que tive e a amo incondicionalmente.".
Mãe... Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você!

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