25 de abril de 2014

Crônica Urbana I - T.I. Rio Doce


Recentemente reformado ou, seria melhor dizer, em uma reforma eterna, o terminal de Rio Doce não é muito conhecido fora do ciclo de usuários. Mas com toda a certeza alguém já ouviu falar das lendas Rio Doce/CDU, Rio Doce/Dois Irmãos, Rio Doce/Piedade e seu primo Rio Doce/Barra de Jangada. Os quatro ônibus que percorrem os caminhos mais longos desde o ponto de partida até o fim do mundo. Além das quatro estrelas, outras linhas circulam pelo local: Rio Doce/Princesa Isabel, sua linha direta com o metrô do Recife depois de fazer a curva sabe-se lá onde; Rio Doce/Príncipe te leva até o Derby, é logo ali, mas parece uma eternidade; Rio Doce/Conde da Boa Vista, você se pergunta porque não pegou outro; Rio Doce/Circular, você não sabe onde ele passa nem pra onde vai; Alameda Paulista/T.I. Rio Doce, não dá pra ver a parte de dentro do ônibus; Loteamento Conceição/Rio Doce (PE22), você pode estar na esquina, mas ao avistá-lo, aprende a voar pra chegar ao terminal antes dele ou cada fila ganhará mais 30 pessoas; Maria Farinha/Casa Caiada, o famoso da frase “toda hora cravada sai um… Saiu não? Espera mais uma hora.”


Apesar de estar em constante reforma, melhorias puderam ser observadas, como a colocação das lixeiras, reforma nos banheiros, organização das lojas e trajeto do ônibus dentro do terminal. Esse último ponto foi importantíssimo, afinal o congestionamento dentro do terminal às vezes chegava a ser pior do que lá fora. Quanto às lixeiras, falta apenas serem usadas, assim como o uso correto dos banheiros. Os usuários do terminal são mais do que simples pessoas que entram e saem, a demora em cada fila acaba transformando cada um em um amigo, companheiro de viagem e ocasional tortura. Lá dentro é quase uma selva, seus amigos acabam se tornando seus melhores aliados, aqueles que vão sempre ficar de olho quando você for comprar uma pipoca ou o cafezinho e não te deixarão perder o lugar na fila.

Um dos maiores problemas enfrentados é o sol. Não existe uma hora em que ele não incomode – há apenas horários em que incomoda de um lado e horas em que o outro lado sofre. A torra é garantida e quase perfeita, quanto a isso é sempre alegado que nada pode ser feito e, para azar de algumas pessoas, nem todas as linhas têm motoristas legais que colocam o ônibus em posição antes da hora da partida apenas para agraciá-las com uma sombra momentânea.

Não é bom confiar cegamente nos horários determinados para saída dos ônibus. Eles nunca funcionam. Talvez esteja certo duas vezes ao dia, mas apenas isso. Linhas como Rio Doce/CDU da empresa Caxangá, é o com maior saída nos horários de pico, chega a um intervalo médio de seis minutos. Já o Rio Doce/Piedade ou Barra de Jangada, o intervalo pode chegar a 20 minutos. O Maria Farinha/Casa Caiada então, é melhor sentar. Ônibus dessa linha chega a demorar mais de uma hora para a saída do próximo.

Vale o lembrete de tomar cuidado com a catraca de entrada e saída. São antiquadas, mas cumprem seu papel. Se estiver na fila para entrada, não fique muito próximo ou ganhará um belo hematoma, mas também não fique distante ou perderá facilmente o lugar. Por mais estranho que pareça, você coloca o dinheiro da passagem ou o cartão VEM pela pequena brecha entre os vidros. Não se preocupe, tem alguém lá para recebê-los (por mais que demore às vezes, principalmente para passar o troco).

Para sua comodidade, lá dentro você encontra as lojas, onde você pode tomar o café da manhã (não muito saudável) ou recarregar o seu VEM, além de outras comodidades como recarga de celular e o passatempo da viagem, famoso pipocão – ainda custa R$ 0,60. Jornaleiros identificados circulam no local constantemente, vendendo o melhor companheiro dos usuários de uma das quatro lendas: O AquiPE. Também tem a opção da Revista da TV e do Diario de Pernambuco. Ao abrir o jornal apenas lembre-se de que a pessoa sentada ao seu lado pode não querer ler.

Por fim, o terminal possui uma boa localização para os moradores da região e estruturalmente ele segue atendendo a demanda. Seu maior problema também é o problema de toda a cidade: a reduzida frota de ônibus disponível para tamanha quantidade de usuários. Um problema extra, se é que podemos chamar assim, é facilmente identificado como a individualidade humana e falta de cordialidade. Dentro daquela selva é melhor não se distrair ou você pode parar facilmente no fim da fila.

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