3 de junho de 2014

Crônica Urbana II - O Metrô



Algumas pessoas da região metropolitana acabam aderindo ao uso desse meio de transporte. Seja por opção ou por não ter outra opção. A tarefa é sempre árdua e a viagem, uma aventura. Ela começa já na hora de comprar o bilhete: ou a fila vai estar gigantesca ou você vai ter a sorte de chegar pouco antes da multidão que brota do chão. O impressionante é que, não importa a quantidade de plaquinhas e pedidos educados e áudios e qualquer outro artifício que seja usado, ninguém vai comprar o bilhete com dinheiro trocado. E se você for essa pessoa, pode ter a certeza de voltar com o bolso cheio de moedas, fazendo barulho maior que mendigo sacudindo latinha de esmola e de brinde ainda aguentar a cara feia do atendente.




Bilhete na mão? Hora de passar a catraca. Cuidado com ela! Existem três opções: ficar com a coxa roxa, a bunda roxa ou gira-la na velocidade de uma tartaruga. Passar por ela é quase como entrar em um barco e remar contra a maré, principalmente se chegou algum metrô e as pessoas estão saindo da estação. A sensação é de estar tranquilamente, boiando no mar e de repente um cardume de sardinhas te atropela. Tente não esbarrar nas pessoas. Dez pontos ao desviar de um adulto, 50 ao desviar de criança.

Nas estações com terminais integrados a situação pode ser ainda pior. O cardume de ex-sardinhas podem adquirir tendências violentas ao galgar seu lugar na fila do ônibus. Fique fora do seu caminho ou pode ganhar belos hematomas. Mas um longo caminho ainda te separa da tão esperada viagem. Literalmente longo, as catracas nunca ficam próximas da área de embarque e lá vai você andando e desviando das pessoas até finalmente chegar. Sabe a linha amarela? Você vai notar que ninguém obedece e cada quadradinho da cerâmica é disputado a esbarrão e cutucões discretos ~ as vezes nem tão discretos assim.

As pessoas ficam por ali, andando, conversando, desejando bom dia ou entretidas com seus aparatos tecnológicos. Tudo em certa paz até o indicador luminoso mostrar o tempo para o próximo metrô. Enquanto estiver acima de 5 minutos pode ficar tranquilo, nos 3 minutos as pessoas começam a se movimentar, falta 1 minuto? Proteja-se! As pessoas irão se estapear para ficar o mais próximo possível do pequeno espaço entre o embarque e o metrô. Espaço esse que pode ser reduzido em até 10 centímetros. Aqueles milésimos de segundos para as portas abrirem são um martírio. Cada um que tente acotovelar o colega do lado pra chegar mais perto do centro da porta.

Existem setas indicativas: para embarcar, as pessoas devem ficar do lado direito deixando a área da esquerda livre para o desembarque. Acha que funciona? Tanto quanto a linha amarela. Na dúvida todo mundo fica no meio e quando a porta abre, é melhor não da bobeira. Cada lugar é disputado com bolsas, pernas e cotovelos. Conseguiu sentar? Agradeça e encolha-se no seu cantinho para não ser esmagado pelas demais pessoas. Não conseguiu uma vaga? É melhor procurar um lugar para se segurar e firmar os pés no chão. Nem cogite a possibilidade de levantar um pé ou vai perder o lugar. O mesmo para as mãos. Botou, colou e não ouse se mexer. Mas não se preocupe, na próxima estação outras pessoas entrarão e pode acreditar: será tanta gente que você não vai precisar se segurar, as pessoas farão isso pra você de bom grado.

Respirar é algo raro então tente sincronizar sua respiração com a das pessoas a sua volta. Quando expirarem, você aproveita o aperto pra inspirar e solte aproveitando a vaga quando eles inspiram. A cada estação aquela voz irritante vai te informar a estação que está chegando, a seguinte e para onde está indo. Não se sinta burro, apenas existem pessoas que não conseguem lembrar-se do caminho. Tá chegando na sua estação? Recomenda-se que vá se aproximando da porta pelo menos uma estação antes e fique o mais perto possível. Quando a porta abrir, prepare-se para a segunda guerra.

Se não tiver agilidade suficiente, apenas saia da frente dos outros ou será atropelado. Se quiser arriscar e acompanhar a massa, cuidado onde pisa, em quem pisa e para onde vai. Os riscos estão por todo lado, mas se estressar não vai valer a pena. Sair de casa mais cedo ou um bom dia para a pessoa ao seu lado pode resolver o problema. Aliados são sempre importantes para encarar os desafios dos meios de transporte da cidade, seja para segurar sua bolsa ou te manter de pé a cada parada.

Um comentário:

  1. Realmente essa é a realidade de muitas cidades ..

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