17 de fevereiro de 2015

Em par


Você passa anos procurando o amor e ele bate na sua porta quando você menos espera e por um meio incomum. Um simples gesto, uma coincidência e uma frase que da início ao inesperado. Tudo começa de vagar, a seu tempo e sem pressa afinal, temos todo tempo do mundo. Os diferentes pontos de vista que não importam, os imensos sorrisos gerados pela bobeira compartilhada, pelas conversas sem pé nem cabeça e bordões que viram gíria. Se no começo tudo parecia simples, não precisou muito para as complicações aparecerem e o mote "temos todo tempo do mundo" passou também a ser um tormento. O tempo e o hiatos. A distância e a demora. Torturas infinitas entre o breve alívio do encontro. Se antes a saudade era só uma ideia distante, hoje se faz presente a cada dia em que a cama amanhece vazia, em cada momento que se passa em solidão, em cada detalhe e em cada desejo. A vontade de estar junto e a paciência pela espera necessitam ser proporcionais. As vezes a balança pende mais para um lado, mas o equilíbrio é encontrado na lembrança dos bons momentos, num cheiro ou num sabor deixado na geladeira.