27 de outubro de 2016

O passado presente



Hoje você faria 69 anos. Acredita que já tinha perdido a conta e precisei recorrer a calculadora? Ainda digo pra todos que você faria 64, pois é a idade que você faria depois que te perdi. Não é de propósito, mas é como se pra mim, nosso tempo tivesse parado. E parou mesmo. Guardo pra mim todas as piadas que faria quando você fosse completar 65 anos e passaria a andar de graça no ônibus, impossível não pensar nas vergonhas que eu passaria por você sentar na frente e eu atrás. Te imagino gritando "Polyanaaaaaa... É pra descer nesssaaa!" e como eu ficaria envergonhada. Hoje daria tudo por toda e qualquer vergonha que um dia você já me fez passar ou que eu senti.

Também me pego pensando em como seria pra te ensinar a usar um smarthphone. Que não precisava tocar com força, que o jogo da cobrinha agora era diferente, que você poderia me mandar áudio pelo WhatsApp! Minha nossa... Imagina só! Eu te ensinando a usar WhatsApp. A quantidade de mensagens de "bom dia" que eu receberia... Além de dezenas de áudios perguntando onde eu estou, fazendo o que, de que horas chego e "vai dormir" quando me visse On-line tarde da noite.

Imagina então todos os tapinhas e caras feias - apenas de birra - que eu receberia por causa das piadas de natal esse ano? Lembro que você gostava do Natal e de quando dizia que ia me ajudar a decorar a casa e ficava sentada no sofá mandando. Lembro bem de todas as piadas do "Motel da Lis Maria" quando você descia pra ir manobrando a colocação dos pisca-pisca na varanda. Esse ano teria uma piada a mais já que você completaria 69... Hummmm... 69... E agora pude até ouvir sua gargalhada com o seu "para com isso, menina".

Lamento não podermos comemorar seu aniversário, imagino que eu ficaria feliz em poder te pagar um jantar incrível, flores, chocolates diets e tudo que você quisesse e pudesse comer e você, obviamente, reclamaria que eu estou gastando meu dinheiro. Eu teria todo prazer do mundo em ir na missa esse fim de semana, em comer aquele filé ao molho madeira com fritas tão gorduroso que precisava vir no pote de alumínio, de preparar sua dose de Campari enquanto cantava junto com você Sidney Magal, Adilson Ramos e tantos outros que ainda escuto na tentativa de aplacar um pouco a saudade.

Tantas lembranças e tantas vontades se misturam nessa saudade imensa que só posso aguentar.
Mais uma data.
Mais um ano.
Mais uma lágrima.

Um comentário:

  1. Acho que a gente sabe que alguém nos fez feliz quando vivenciamos isso aí.

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